Autor da proposta de ensino em tempo integral para toda a educação básica, o senador e ex-ministro da Educação Cristovam Buarque acredita que só uma "revolução" pode mudar o ensino do país. E ela passaria pela construção de novos e mais equipados prédios, aumento dos salários dos profissionais e adoção do turno e da educação integrais.- Mesmo tendo melhorado, não estamos indo na velocidade necessária e corremos o risco de ficar para trás. Com as novas exigências do mundo, não basta alfabetizar, é preciso muito mais. É preciso, por exemplo, ensinar a usar o computador. E nós ainda nem erradicamos o analfabetismo, que aumentou entre 2007 e 2008. Desse jeito seremos ultrapassados em breve por Paraguai, Colômbia, México e até Bolívia, países com muito menos recursos que nós - adverte.
Cristovam propõe ainda que os recursos para a implantação do turno integral não sejam pulverizados nas redes de ensino de todo o país.
- As escolas que hoje existem não merecem o nome de escolas. Algumas nem o quadro-negro têm, quando esse recurso já deveria ter sido substituído por computadores em todas elas. Não precisamos aumentar a rede, precisamos é refazer pelo menos 70% dela. Esse dinheiro deve ser usado nas redes de 250 cidades a cada ano. Ao fim de 20 anos o país terá feito a revolução de que precisamos.
Por sua vez, Eduardo Azeredo, relator da PEC 94/03, que prevê a obrigatoriedade da oferta do ensino fundamental em tempo integral, considera viável a implantação da medida em todas as escolas do país até 2022, como prevê a proposta de Demostenes Torres aprovada na CCJ.
- Se considerarmos que não teremos que ampliar o número de vagas e escolas em razão do declínio do crescimento demográfico, que acabamos de aprovar a desvinculação dos recursos do Orçamento destinados à educação, e que teremos esse recurso adicional de 1% do Imposto de Renda e do IPI previsto na PEC, acredito que será possível cumprir a meta estabelecida - afirma o senador por Minas Gerais.
Já o ministro da Educação, Fernando Haddad, em audiência da Comissão de Educação, argumentou que é preciso resolver questões pendentes antes de implantar instituições públicas de tempo integral.
- Precisamos resolver questões como o caso de escolas que têm três turnos, incluindo o chamado "turno da fome", entre 11h e 15h. Temos que honrar uma agenda que está atrasadíssima, que é a escola de quatro horas - declarou.
Fonte: Jornal do Senado de segunda-feira, 2 de novembro.
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