Cristovam Buarque

Quinta-feira, 9 Setembro 2010
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Cristovam defende CPI para investigar denúncias no DF - 1º/12/2009

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O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) anunciou ontem as duas primeiras decisões tomadas pelo seu partido diante das denúncias de corrupção envolvendo o governador José Roberto Arruda (DEM) e a cúpula política do DF: o PDT entregou os três cargos que mantinha no governo e iniciou, por meio do deputado distrital José Antônio Reguffe, a coleta de assinaturas para instalar uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) na Câmara Legislativa do Distrito Federal.


Em resposta a uma sugestão do senador Mão Santa (PSC-PI), que o aparteou, Cristovam disse que será o primeiro signatário de um requerimento de CPI para investigar o caso no Senado.

Na opinião de Mão Santa, uma CPI realizada pela Câmara Legislativa não teria legitimidade, em razão de "ela estar toda corrompida". Ele sugeriu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que promova uma intervenção federal no Distrito Federal.


Já o senador João Pedro (PT-AM) classificou de "uma vergonha, um acinte, esse comportamento dos dirigentes políticos de Brasília". Ele pediu coerência ao DEM e defendeu o afastamento imediato de Arruda do cargo de governador, assim como do vice Paulo Octávio e do presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente, ambos filiados ao DEM.

Na última sexta-feira, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em gabinetes e residências de secretários, deputados distritais e titulares de empresas que mantêm contratos com o governo do DF.

No inquérito, aparecem transcrições de conversas em que Arruda trata de distribuição de dinheiro a deputados distritais. Nos dias seguintes, vários vídeos foram divulgados na internet mostrando José Roberto Arruda, Leonardo Prudente, outros deputados distritais, membros do governo e uma pessoa que seria ligada a Paulo Octavio recebendo dinheiro supostamente de origem irregular.

- Estamos passando com esses fatos, com essas denúncias, a imagem mais lamentável a que a história brasileira talvez já tenha assistido de um conjunto de dirigentes de um estado. O governador aparece recebendo dinheiro vivo, filmado pela televisão. As informações e as gravações indicam o envolvimento do vice-governador. O presidente da Câmara Distrital recebendo tanto dinheiro que não cabe nos bolsos, colocando-o nas meias. Toda a cadeia de comando que sucede a cada um aqui se desmoronando moralmente - afirmou Cristovam Buarque.

Renúncia
Em nome do PDT, Cristovam também exigiu a renúncia de Leonardo Prudente da Presidência da Câmara e pediu a Arruda que se afaste voluntariamente do cargo até que as investigações sejam aprofundadas. O senador lembrou que uma eventual decisão de Arruda em licenciar-se deverá ser seguida pelo vice, Paulo Octávio.

O senador pedetista apelou ainda ao Ministério Público para que estenda as investigações ao processo eleitoral e avalie a necessidade de pedir ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) a cassação da chapa eleita.

Ele sugeriu à população do DF que se mobilize e cobre das autoridades competentes uma rápida apuração de todos os fatos denunciados.

Para Cristovam, o escândalo levanta a necessidade de se realizar uma grande auditoria nas contas do governo distrital.

Fonte: Jornal do Senado de terça-feira, 1º de dezembro.

 

Há consenso para abertura de processo disciplinar contra Arruda, diz Agripino

Executiva Nacional do DEM se reúne para definir futuro do governador.
Bancada no Senado defende prazo de dez dias para decidir expulsão.

Diego Abreu Do G1, em Brasília

 

O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), disse nesta terça-feira (1º), após reunião da bancada do partido na Casa, que já há consenso no partido para a abertura de um processo disciplinar contra o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM).

 

A bancada do partido defende que seja aberto um prazo de dez dias para o partido definir o futuro de Arruda dentro da legenda.

 

Leia também: Arruda nega acusações e diz que 'defeito' em gravador pode ter alterado diálogos

 

Ele aparece em vídeos recebendo dinheiro e supostamente negociando o pagamento de mesadas a deputados distritais da base aliada.

 

“Há consenso com relação à abertura do processo disciplinar e com relação a que o prazo para conclusão da votação do relatório não exceda dez dias, entre a abertura do processo e a votação, considerado oito dias de prazo ao relator”, explicou Agripino.

 

Veja vídeos sobre suposto esquema de corrupção no governo do DF

 

O senador disse que se reunirá com a bancada do DEM na Câmara antes da reunião da Executiva Nacional do partido, marcada para as 16h desta terça-feira. A Executiva decidirá nesta tarde entre expulsar sumariamente Arruda da legenda ou abrir um processo disciplinar, que poderá resultar em expulsão.

O escândalo do mensalão do DEM de Brasília começou no dia 27 de novembro, quando a Polícia Federal deflagrou a operação Caixa de Pandora. No inquérito, o governador Arruda é apontado como o comandante de um esquema de distribuição de propina a deputados distritais e aliados.

 

 

De acordo com Agripino, não foi discutida na reunião da bancada a situação do vice-governador, Paulo Octávio, que também é citado no inquérito do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O processo investiga denúncias apresentadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais do DF, Durval Barbosa, que revelou o esquema ao Ministério Público em troca de delação premiada.
 

Embora avise que o DEM está dividido quanto à expulsão ou não de Arruda, o líder do partido no Senado garantiu que mantém sua posição anunciada na segunda-feira (30) em defesa da expulsão do governador. “Na minha opinião, que não mudou de ontem para cá, o governador Arruda, pelas denúncias que já foram colocadas, não tem condições de continuar filiado ao partido”, afirmou.

 

O líder destacou ainda que a expulsão sumária abriria o direito de defesa a Arruda. A diferença, segundo o senador, é que o processo é instalado com o denunciado expulso do partido. “Ele tem o direito de se defender e pode ser inocentado”, disse. Agripino, no entanto, afirmou que vai tentar formar uma opinião consensual entre deputados e senadores do DEM.

 

“As posições estão muito equilibradas, mas não há uma distância muito grande. As pessoas no Senado estão indignadas com tudo o que está ocorrendo com o partido aqui em Brasília e querem um desfecho rápido desse assunto.” 
 

 

Última atualização ( Ter, 01 de Dezembro de 2009 14:41 )  

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