O Globo
Alfredo Sirkis (PV-RJ) e Cristovam Buarque (PDT-DF) apresentaram as recomendações da iniciativa Rio/Clima, no Forte de Copacabana
RIO — Foram apresentadas neste domingo, no Forte de Copacabana, as recomendações da iniciativa Rio/Clima para a Rio+20. Ao lado do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) e de Marina Silva, o deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ) disse que o grupo chegou a cinco pontos “fundamentais” para tentar reverter o aquecimento global.
— Precisamos rever o PIB como principal indicador da economia. Temos que incorporar métricas que incluam variáveis que dizem respeito ao desenvolvimento sustentável — destacou. — Depois, precisamos de uma espécie de “new deal” verde internacional, onde haja um investimento público massivo em energias limpas. Depois, precisamos apoiar ações que sejam ao mesmo tempo de baixo carbono e geradoras de emprego.
Os parlamentares pediram que o PIB não seja restrito a produtos.
— Mesmo que o bolso regrida, a alma precisa avançar. Precisamos transformar o PIB. Conceitos novos de progresso têm que entrar. No futuro, não podemos medir o progresso pelo produto e sim pelo bem estar — afirmou Buarque.
Sirkis propôs ainda a reforma dos sistemas tributários e de subsídios e uma reforma do sistema financeiro internacional.
— Devemos abolir o subsídio ao petróleo e eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis, estabelecendo mecanismos de compensação social para a possível elevação dos preços — sugeriu. — E, por último, precisamos de uma reforma dos sistemas internacionais, algo parecido com um Breton Woods do baixo carbono, instituindo mecanismos e produtos capazes de atrair o capital financeiro internacional para uma economia produtiva de baixo carbono.
O senador Cristovam Buarque foi além e acrescentou a necessidade de “internacionalização do uso das florestas de todo o mundo”.
— Florestas do mundo têm que ter regras internacionais de uso. Não estou falando da internacionalização da Amazônia, mas da criação de regras internacionais para o uso dela e de outras florestas como as da Escandinávia e do Canadá.
Buarque disse que trabalha na criação de um tribunal para julgar ameaças ao futuro da humanidade.
— Assim como foi feito no Vietnã para crimes de guerra nos anos 1960, vamos fazer com questões ambientais.


