"O humanismo reservado aos conquistadores não é humanismo", diz Edgar Morin

LF Barcelos/UnB Agência
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Filósofo francês participou de debate organizado pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasúkua ao lado do cacique Raoni e da ex-ministra Marina Silva

Pedro Rafael Ferreira - Da Secretaria de Comunicação da UnB

 

 

O filósofo francês Edgar Morin pediu a proteção dos povos e comunidades tradicionais, especialmente na Amazônia, durante o workshop “A Terra está inquieta”, organizada por professores do Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS) da Universidade de Brasília. “O humanismo reservado aos conquistadores não é humanismo. Tem que estar relacionado à diversidade de pessoas no mundo. Sem isso, é uma visão mutilada”, disse, em português.

“Todos os humanos formam uma comunidade de destino, uma Terra pátria, e nós somos filhos da Terra, de uma evolução biológica. Filhos do sol, porque sem os raios de sol não existe nenhuma possibilidade de vida. A humanidade é a diversidade de todas as culturas”, refletiu, endossando o coro do cacique Raoni, também presente à mesa de debate, ao lado de Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente. 

Uma das lideranças indígenas de maior notoriedade internacional, Raoni apelou diretamente à presidente Dilma Rousseff para proteger as florestas. “Os jovens têm que falar para a Dilma respeitar floresta, rio, terra, senão teremos muito frio, muito sol, pouca sombra, muito vento”, afirmou. Em seguida, Raoni divertiu a plateia ao revelar que tivera um dia cansativo e que terminaria sua fala. Já passava das 21h.

Mariana Silva defendeu diretrizes claras para o desenvolvimento sustentável, independentemente dos governos. “É preciso que a gente tenha uma ferramenta política. Sustentabilidade tem de ser cultural e o termo de referência é: energia limpa e segura, diminuição da intensidade do uso de materiais a partir dos quais produzimos os nossos bens. Não dá para ter a mesma quantidade de emissão de CO²”, exemplificou.

LF Barcelos/UnB Agência
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A ex-ministra afirmou que a humanidade vive múltiplas crises: econômica, social, ambiental e política. “Quando uma crise é constituída de múltiplas crises, é uma crise civilizatória. Não tem como ser enfrentada por uma pessoa, um partido, uma universidade, mas por uma humanidade. Em uma crise civilizatória, não há uma liderança, há várias”, pontuou.

Sobre o aspecto político da crise, Marina não poupou críticas ao novo Código Florestal. “É uma ética de circunstâncias, o poder pelo poder, o dinheiro pelo dinheiro. Estamos sacrificando recursos de milhares de anos por lucros de algumas décadas, quando destruímos a base legal que sustenta a proteção de nossa biodiversidade”, disparou.

TRIBUNAL - Em outro encontro, “A Terra está inquieta”, também na tarde desta segunda-feira, 19 autoridades de Estado e professores universitários defenderam a adoção de uma Declaração Universal dos Direitos da Natureza e de um Tribunal Internacional para julgar crimes ambientais. Documento daria enfoque ambiental aos dispositivos previstos na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Leia mais aqui

HOMENAGEM - Presente na Rio+20 com professores, pesquisadores e estudantes, a UnB teve um de seus professores homenageados pelo projeto Séculos Indígenas no Brasil, que chega à sua quarta edição trazendo uma ação educativa em parceria com o CDS. Othon Leonardos foi reconhecido pela atuação na promoção da cultura indígena. Ele é coordenador geral do mestrado profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Indígenas do CDS. Leia mais aqui


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Nós podemos ….

Estamos passando por um momento especial da história brasileira. Temos condições de mudar o futuro. Podemos escolher agora qual a direção que vamos tomar.  O Brasil poderá ser só um pouquinho melhor do que é hoje ou poderá ser um país desenvolvido, com justiça social e grande produtor de conhecimento. Podemos escolher entre seguir melhorando aos pouquinhos em várias áreas e piorando em outras (violência, meio ambiente). Podemos continuar a ser um país dos mais desiguais do mundo, ou um país onde todas as pessoas tenham condições de desfrutar da riqueza gerada por todos. É hora de investir em educação. Não um pouquinho. Nada de gambiarra. Precisamos superar os conservadorismos e corporativismos. É hora de uma revolução na educação. Hora de uma mobilização nacional efetiva e responsável. A juventude precisa se encantar com o magistério, com as escolas sendo centros de cultura e tecnologia. O Brasil somente será um país de oportunidades se a educação for o caminho do desenvolvimento. É por isso que precisamos de uma Revolução na Educação.

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