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Mudar o rumo - Artigo para O Globo, dia 27 de julho de 2013.

*Por Cristovam Buarque

Nada indica mais a pobreza da política brasileira do que a proposta de pacto para mudar algumas regras no sistema eleitoral, quando precisamos de união para uma mudança de rumo.

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Guerrilha cibernética - Artigo para O Globo, edição de sábado, 13 de julho de 2013

*Por Cristovam Buarque

 

O Brasil conseguiu realizar sofisticada “modernidade-técnica”, mas não fez sua “modernidade-ética”. Produzimos milhões de automóveis e temos um péssimo sistema de transporte público, inventamos e usamos urnas eletrônicas, mas não eliminamos a corrupção, nem no comportamento dos políticos nem nas prioridades das políticas; nem incorporamos a participação dos eleitores em tempo real no processo político.

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Não caiu a ficha - Artigo para O Globo, edição de 29 de junho de 2013.

 *Por Cristovam Buarque

         As surpreendentes mobilizações dos últimos dias podem ser explicadas em dez letras: “caiu a ficha”. Não se sabe exatamente o que levou a ficha a cair neste exato momento, mas todos os ingredientes já estavam dados. A maior surpresa foi a surpresa.

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Na crise, ministro artigo - O Globo edição 15/06/2013

 

*Por Cristovam Buarque

O ministro Mantega saiu de reunião com a presidente Dilma Rousseff perguntando: “Que Crise?” A resposta é simples: Na pergunta, ministro!

É crítica a situação de uma economia que diante de indicações óbvias de crise seu ministro da Fazenda pergunta: “Que crise?” Porque além da própria realidade, a crise se agrava por não ser vista por quem dela deve cuidar.

A crise está em uma economia cujo crescimento não reage a medidas fiscais pontuais que já custam R$ 50 bilhões anuais de sacrifício fiscal sob a forma de exonerações; em uma inflação que supera a meta de 4,5% e atinge 6,5%, que é o patamar máximo de tolerância. A crise é visível nos preços em supermercados, nas lojas e nas fábricas, especialmente na indústria de transformação. É preciso reconhecer que, graças a medidas do ministro, a crise ainda não chega a desempregar. Mas a economia não deve ser vista apenas por pontos específicos e do presente. Deve ser vista como um organismo vivo e de longa vida que não pode ser tratado por problemas individuais e somente no imediato. A continuar, a crise certamente chegará ao nível de emprego.

A crise é visível no saldo comercial que caiu de U$20 bilhões para US$ 7,7 bilhões no ano; na baixa taxa de poupança de 14,1% do PIB; na queda da produção industrial que chegou a -1,1% no ano que terminou em Abril de 2013. Também é visível no endividamento bruto do país que subiu de 53,3% do PIB, em 2010, para 59,2%, em abril de 2013; como também no endividamento das famílias que atingiu, segundo o Banco Central, 44% da renda em março deste ano. Está no déficit em Conta Corrente que atingiu 3% do PIB, bem como no superávit primário, estimado para cair em 2013, para próximo de 1% do PIB, o que eleva a dívida pública e derruba a confiança. A crise está na queda do Real em relação ao dólar, resistindo às intervenções do Banco Central financiadas por aumentos da dívida ou por redução das reservas.

As causas da crise estão no descontrole dos gastos públicos, no uso pouco responsável de incentivos ao consumo por exonerações fiscais, sacrificando as contas públicas e desincentivando a poupança; em uma política industrial antiga que visa a competitividade como questão de redução de custos e não como resultado da inovação; na forma errática como os “pacotes” geram incertezas ao substituir a política estrutural; no aparente uso do Banco Central e de estatais como Petrobras, Eletrobrás e BNDES como parte do processo político, inclusive eleitoral. E ainda no uso de contabilidade apresentando resultados que não inspiram confiança.

Está na perda de credibilidade dos responsáveis pela economia, que evitam ver a crise, criam uma euforia e ampliam a crise ao negar que ela existe. Isto se agravará nos próximos meses se ocorrer, como tudo indica, melhoras conjunturais que esconderão a dramaticidade do longo prazo.

A crise é de falta de estratégia para enfrentar os problemas estruturais, em todo o sistema, e de falta de percepção das tendências de longo prazo da economia.

*Cristovam Buarque é professor da UnB e senador pelo PDT-DF

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Sede de indignação - Artigo para O Globo, edição de sábado, 1º de junho de 2013.


*Por Cristovam Buarque

O presidente do STF teceu duras críticas aos representantes do povo e o povo aplaudiu, não viu como uma ameaça às Instituições Democráticas, ao contrário, ampliou sua admiração pelo ministro Joaquim Barbosa. A razão é simples: ele mostrou indignação, exatamente o que sempre tem faltado na política brasileira.

A reforma política que o Brasil precisa só ocorrerá quando os brasileiros sentirem indignação com os “partidos de mentirinha” e demais deficiências do nosso sistema político apontadas pelo ministro Barbosa.

Por séculos convivemos sem indignação com o absurdo da escravidão, inclusive de antepassados do ministro. A ideia da abolição só começou a se espalhar quando seus defensores passaram ao povo o sentimento de indignação moral contra a escravidão. Enquanto os argumentos eram econômicos – “o trabalho livre é mais inteligente e produtivo” -; ou ideológicos - “a escravidão não é condizente com o espírito da época” -, a abolição não era entendida, nem sentida, não indignava. Quando o discurso passou a ser ético, apresentando a escravidão como uma vergonha nacional, o assunto passou a crescer, até prevalecer.

Na Inglaterra, o grande abolicionista William Wilberforce reconheceu que a ideia da abolição só cresceu quando ele e seus companheiros de luta saíram do discurso lógico e provocaram indignação popular contra a escravidão. A abolição foi o resultado da força moral que surgiu da indignação.

Assim também não adianta apenas argumentos lógicos para justificar a necessidade da abolição do analfabetismo – a escravidão do século XXI; é preciso que os brasileiros sintam indignação com o fato de que para abolir o analfabetismo só precisamos de R$ 1,6 bilhão ao ano, por apenas quatro anos, de uma renda nacional de R$ 4,5 trilhões, empregando por dez horas semanais apenas 125 mil dos atuais 1,6 milhão de universitários que estudam com financiamento público.

Só agiremos quando sentirmos vergonha por não podermos colocar, em 2014, em frente de cada aeroporto, uma placa dizendo: “Você está entrando em um território livre do analfabetismo”. Da mesma forma, não basta dizer e mostrar que o Brasil não tem futuro, na economia ou na sociedade, se não colocarmos todas nossas crianças em escolas com a mesma-máxima-qualidade. É preciso indignar-se com a falta de qualidade e com a desigualdade da educação. Os argumentos lógicos fracassaram, é a vergonha de não despertar o espírito nacional para resolver o problema.

Houve um tempo em que precisávamos de consciência, agora precisamos de raiva e vergonha. Por isso, o presidente do STF é capaz de enfraquecer a independência dos Três Poderes ao denunciar os partidos, os congressistas e, portanto, o Congresso Nacional, e mesmo assim ser aplaudido. Mesmo sendo verdadeiras as declarações, os aplausos não se justificariam do ponto de vista lógico das Instituições Democráticas, mas se explicam moralmente: o povo está com sede de indignação.

*Cristovam Buarque é professor da UnB e senador pelo PDT-DF

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Nós podemos ….

Estamos passando por um momento especial da história brasileira. Temos condições de mudar o futuro. Podemos escolher agora qual a direção que vamos tomar.  O Brasil poderá ser só um pouquinho melhor do que é hoje ou poderá ser um país desenvolvido, com justiça social e grande produtor de conhecimento. Podemos escolher entre seguir melhorando aos pouquinhos em várias áreas e piorando em outras (violência, meio ambiente). Podemos continuar a ser um país dos mais desiguais do mundo, ou um país onde todas as pessoas tenham condições de desfrutar da riqueza gerada por todos. É hora de investir em educação. Não um pouquinho. Nada de gambiarra. Precisamos superar os conservadorismos e corporativismos. É hora de uma revolução na educação. Hora de uma mobilização nacional efetiva e responsável. A juventude precisa se encantar com o magistério, com as escolas sendo centros de cultura e tecnologia. O Brasil somente será um país de oportunidades se a educação for o caminho do desenvolvimento. É por isso que precisamos de uma Revolução na Educação.

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