Cúpula dos Povos questiona e debate rumos para o planeta


Entre 20 e 22 de junho, o Rio de Janeiro receberá a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a chamada Rio+20. Paralelamente ao evento principal, ocorrerá a Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental.  Será de 15 a 23 de junho, no Rio de Janeiro.

A Cúpula dos Povos pretende apresentar um contraponto ao processo de mercantilização da natureza. O que as pessoas reunidas em torno da Cúpula dos Povos desejam é justamente questionar e demonstrar as contradições do modelo baseado em um suposto capitalismo verde.

Movimentos sociais e organizações da sociedade civil têm apontado que, na Rio+20, não se pretende debater questões que promovam realmente alternativas ao atual cenário em que o planeta se encontra, senão por meio do mesmo sistema econômico vigente. Marcelo Durão, dirigente nacional do MST e um dos representantes da Via Campesina na Cúpula dos Povos, diz que “o evento será um grande acordo entre chefes de Estado e grandes corporações, e as soluções para uma economia verde virão pelo mercado. A sociedade civil, por outro lado, entende que deveria ser um debate mais amplo em relação às questões ambientais”.

Para Durão, “discutir a economia verde é discutir o capitalismo. Está se acreditando que o capitalismo pode ser bonzinho. Não existe uma real economia verde, não existe um real capitalismo verde. Exemplos disso são os sequestros de carbono, pagamento por serviço ambiental – que não apresentam soluções reais e concretas. É a continuação do mesmo capitalismo travestido de verde. Geralmente o discurso é sempre no sentido de continuar a centralizar, acumular riquezas na base dessas corporações”. Essa aparente solução de matriz capitalista deixa de lado milhões de anos do convívio do ser humano com a natureza, já que também somos parte de um ecossistema, e insere neste contexto a ideia de que tudo pode ser comercializado.

Uma das críticas vigentes à chamada economia verde é justamente o fato de que se trata de um modelo que mercantilizará ainda mais as riquezas naturais, pelo que se convencionou chamar de “serviços ambientais”. “Isso é errado, porque esse modelo trata a floresta como um produto. Por exemplo, o ar não pode ser comprado. A ideia deles é de pôr preço em todos os bens naturais. Não concordamos com isso e temos de afirmar o caráter de público destes bens, porque os bens naturais pertencem à sociedade”, afirma Ivo Lesbaupin, membro da diretoria executiva da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong).

Para os nove dias de Cúpula há uma programação que pautará a atuação de diversos povos, além de uma marcha em nível mundial marcada para 5 de junho, data em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente. Rosilene Wansettos, da rede Jubileu Sul e integrante do grupo de articulação pra Cúpula dos Povos, diz que “a ideia é de que seja um momento de fortalecimento. É uma agenda assumida, assim como no dia 20 de junho, que também será um dia de mobilização global”.

Durante a semana da Cúpula, diversas entidades da sociedade civil realizarão debates, atividades autogestionadas e assembleias. Ivo Lesbaupin explica que “o objetivo é debater e explicitar com o máximo de clareza possível as verdadeiras causas desses desastres ambientais que estão ocorrendo e depois mostrar os impactos que estão acontecendo”.

Como se trata de um evento com papel questionador frente à Rio+20, um dos desafios é justamente publicizar as informações a respeito da Cúpula. “O evento oficial terá uma cobertura midiática muito grande e o governo vai fazer de tudo para essa cobertura ser a mais ampla possível. Nós, na Cúpula dos Povos, temos de usar todos os meios disponíveis na mídia e o maior nível de difusão possível, além de marchar, publicar artigos e realizar mobilizações”, destaca Lesbaupin.

Vinte anos após a Rio 92, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) apresenta, para esta próxima convenção, um programa com ideias e propostas concebidas enquanto alternativas ao atual modelo de desenvolvimento. Porém, em uma analise mais detalhada, o chamado Rascunho Zero parece não propor grandes mudanças, além de medidas paliativas mantendo políticas próprias do neoliberalismo. Nada muito além do que já se vem desenhando desde os primeiros debates sobre meio ambiente.

Movimentos sociais, organizações da sociedade civil e especialistas de diferentes campos têm apontado que, nestes últimos 20 anos, muito se piorou em relação ao meio ambiente. O planeta está à beira do colapso, seja em suas riquezas naturais ou no modo de vida de seus seres humanos. Com o processo de globalização, que tem avançado a passos largos, quem já controlava o poder financeiro tornou-se ainda mais poderoso. Enquanto desigualdades sociais aumentaram exponencialmente, os alimentos produzidos por grandes latifundiários são submetidos cada vez mais a conservantes e outros venenos, o pequeno produtor perde espaço a cada ano e a água doce está desaparecendo.

Clique aqui para conhecer a programação completa da Cúpula dos Povos na Rio+20

Fonte: Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong).

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